24/06/11

EXAMe Escrita CRIAtiva

Queridos alunos:

Para quem optou por avaliação no regime de exame, a data será dia 13 de Junho, entre as 16 e as 18h (com meia hora de tolerância), na sala 3.1.

O modelo será semelhante ao do teste escrito — perguntas de interpretação sobre o excerto de um conto e escrita de texto.

Workshops ARGUMENTO CINEma

AVANCA 2011 // 15º Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia
20 a 24 de Julh

Abertas as inscrições para os workshops.
Personalidades do audiovisual contemporâneo estarão em AVANCA para
orientar espaços de trabalho, reflexão e compromisso com o cinema de
qualidade.


WORKSHOPS

1 - “A direcção de actores em cinema”
Orientador – Luís Filipe Rocha (Portugal)
Coordenador – José Miguel Moreira

2 - “Escrever um argumento e realizar um filme de FERIDAS INVISÍVEIS”
Orientador – Mohamadreza Vatandoust (Irão)
Coordenador – André Gil Mata

3 - “Explorar a direcção artística dos filmes de animação”
Orientador – Natalia Mirzoyan (Rússia)
Coordenador – Patrícia Figueiredo

4 - “Realizar uma curta-metragem de ficção”
Orientador – Ciro Altabás (Espanha)
Coordenador – Luis Diogo

5 - “Realizar documentários no caminho dos filmes de ficção”
Orientador – Mehdi Rahmani (Irão)
Orientador Assistente – Esmaelion Behrang (Irão)
Coordenador – Luís Oliveira Santos

6 - “O Cinema de Animação vai à Escola”
Orientador – Paulo Fernandes (Portugal)
Coordenador – José Rodrigues

Informações em www.avanca.com

Contactos:
AVANCA 2011
Cine-Clube de Avanca
3860-078 Avanca
Tel/fax – 234.880658
festival@avanca.com
www.avanca.com

21/06/11

nova data AVALIAção

Queridos alunos:

Adio o nosso encontro um dia, para TERÇA, 28 de Junho, same time, same place.

Passem palavra.

Bom SOLstício

12/06/11

DATA AVALIAção

Queridos alunos:

Decidi ser realista e prolongar os dias, além do enleio das tarefas a cumprir, pelo que proponho como data para o nosso encontro dia 27 de JUNHO entre as 15 e as 17 horas, na esplanada do bar do átrio da FLUL (entrada principal).

Passem palavra entre os colegas, por favor.

Atenção: os alunos que não colocaram no portfolio as versões dos contos corrigidas por mim, entregam-nos no CEAUL para a próxima semana ou, no máximo, até dia 21 de Junho.

Festa do Povo Mágico

Para quem quiser aceitar o convite da Hélia Correia

A festa vai ser a 25 de Junho, na Ermida de S. Mamede, em Janas

Direcções google: Estrada de São Mamede –2710 Sintra

Passo a citar o convite

"A partir das 12,00

(Quem quiser ir mais cedo, ainda dará uma ajuda na «decoração…»)

Levar:
- toalhas e/ou mantas, para o chão
- comida feita, de preferência que não necessite de talheres
- bebidas, conforme os gostos – eu levo água da fonte para quem quiser
- cadeiras e/ou banquinhos desdobráveis para quem se sentir mais confortável com eles, e/ ou almofadas.

Empresta-se e troca-se tudo o que calhar.

Levar os jogos de exterior que os meninos tiverem.

Os meninos podem ir vestidos de fantasia, fadas, duendes, feiticeiros/as, coelhos, tudo… Toda a gente pode levar fatos feéricos e grinaldas.
Há um arco com flechas ( de ventosa) para os Robins dos Bosques e as Ladies Marions.


Em princípio, estará calor, mas há sombras. Com o microclima de Sintra, nunca se sabe. Melhor levar casaquinhos!


Eu levarei autocolantes para «afixar» em todos, de modo a que se saiba sempre a quem «pertence» cada menino…
… e também para que nos possamos tratar logo pelos nomes.
Por isso, convém que as vestes sejam de tecido a que os autocolantes adiram bem.

Em princípio, haverá pessoas de todas as idades. Se os adolescentes aparecerem não se aborrecerão!
Levem Cds, não fones individuais - a Cristiana e o João fornecem um leitor a pilhas e o som é para se espalhar a todos os ouvidos…

Câmaras de foto e vídeo fazem falta , embora o Mágico Ethan garanta o trabalho de fundo…"

09/06/11


Velocidade

A minha vida ultimamente anda um pouco atribulada, devido a uma série de más notícias que não me deixam propriamente bem e afectam o meu bem-estar mental.

Um dia, já confuso com as emoções que sentia – raiva, stress, vontade de espairecer, enfim – tive a ideia de pegar nas chaves do carro e desaparecer. O meu carro não é o que se pode chamar luxuoso: não tem ar condicionado, airbag, leitor de CD, nem jantes de liga leve. Tem um volante rijo, uma manete das mudanças lassa e muito pouco prática, uns bancos pouco confortáveis e uma suspensão… bem é melhor nem falar na suspensão.

Costumo chamar-lhe a minha caixa de fósforos, mas até um carro assim dá para sentir liberdade, a liberdade que só a velocidade traz. Pus a chave na porta já enferrujada, abri a fechadura, sentei-me no banco e liguei o motor. Nesse momento senti uma enorme tristeza pois o som do motor nada tinha em comum com aquele dos carros desportivos.

Pus o carro em ponto morto, acelerei o máximo, respirei profundamente e sorri. Estava na altura de sair dali, levantei o travão de mão, pus a primeira e comecei a minha perigosa viagem. Não parava no stop, na luz vermelha, nem na passadeira, não podia parar. Guiei até um local ermo, sítio de armazéns e fábricas, sem movimento, ideal para uma pequena brincadeira.

Acelerei a fundo, o carro ganhou velocidade e ao mesmo tempo que travava virei o volante. Uma marca circular de borracha queimada ficou desenhada no chão, depois de o carro se ter inclinado numa chiadeira. Soltei uma gargalhada – era o meu primeiro peão.

Abri a janela e senti o cheiro da borracha. Os subúrbios já não chegavam. Decidi ir para a auto-estrada. Liguei o rádio; um anúncio sobre pasta de dentes… mudei… outro anúncio sobre sabonete… mudei… um padre falava sobre a sociedade e a falta de fé das pessoas, era um programa religioso, deixei ficar.

A auto-estrada estava quase vazia; comecei a conduzir ainda mais depressa. No meu horizonte surgiu outro carro que ultrapassei, não sem antes lhe bater na traseira e lhe partir um farol. O outro condutor começou a gritar comigo, não o conseguia ouvir mas sabia que ele não dizia coisas agradáveis. Buzinou. Agarrado ao volante acelerei ainda mais sem, prestar a mínima atenção ao que acontecera.

Uns quilómetros à frente um carro da polícia mandava parar os condutores. Se não parasse cometia um crime, o meu primeiro crime na vida.

Senti um longo arrepio na espinha. O programa na rádio interveio, dizendo que a religião era a salvação. Tenho que admitir que não sou religioso, no sentido tradicional do termo, se bem que goste da ideia de uma vida para além da morte. Acelerei, cada vez mais decidido.

Um carro da polícia estava estacionado à beira da estrada com um radar a controlar a velocidade a que seguiam os condutores. Encostado ao carro estava um polícia que quase caiu quando passei por ele. Achei piada. Este entrou no carro de imediato, ligou a sirene e seguiu atrás de mim. Era mais rápido do que eu, tinha um carro mais potente. Em dois tempos estávamos lado a lado. Para me tentar parar, ia contra o meu carro que se ia desfazendo a cada encontrão. Eu fazia o mesmo, se bem que o resultado fosse pouco eficaz.

O outro carro era mais largo e mais estável, o meu não ia aguentar aquilo muito mais tempo. Felizmente, ao longe surgiu uma portagem e na minha cabeça uma ideia. A passagem era demasiado estreita, só havia espaço para um carro. Travei bruscamente! O polícia seguiu em frente, travou também e fez marcha-atrás, nessa altura passei por ele a toda a velocidade em direcção à portagem. O homem da cabine abriu a porta e fugiu à medida que eu me aproximava. A cancela partiu com uma facilidade incrível. Soltei uma grande gargalhada, pois aquilo lembrava um palito a estalar.

Respirei profundamente e olhei para o espelho retrovisor, o carro da polícia estava de novo no meu alcance. Reparei também que isso era um problema menor: ao longe a polícia tinha formado uma barreira com carros. Tinha chegado ao fim, não havia saída.

Peguei no telemóvel e escrevi uma mensagem: “ Mãe, a consulta foi pouco animadora. Doença a progredir. Cancro avança até paralisia. Fui dar uma volta de carro. Bj.”.

Na rádio, a conversa era sobre a vontade divina que controla tudo. Concordei, naquele momento a decisão de viver já não me pertencia. Acelerei a fundo, estava cada vez mais próximo da barreira. Alguns polícias perceberam que eu não ia parar e começaram a fugir, outros com o rosto sulcado pelo medo procuraram abrigo atrás dos carros. No último segundo, fiz uma viragem brusca. O carro capotou, foi contra um muro e ficou completamente esmagado. Com o choque, bati com a cabeça no volante e via sangue por todo o lado.

Inclinei-me e encostei a cabeça no assento. Reparei que parte do sangue que escorria da minha cara estava mais claro, foi então que percebi que estava a chorar.


Bruno Jacinto, nº39099

Simon Says * (versão final)

Numa fria sala de jantar inundada de sol, Marcela dobra cuidadosamente o jornal e fita-me, pensativa; com o queixo apoiado na mão, observa-me a tomar café. Olho-a, franzindo a testa, mas a sua expressão não se altera. Suspiro e pouso a chávena.

“Que tens?” pergunto, demasiado ensonada para me lembrar que Marcela nunca responde a uma pergunta directa.

Ela sorri levemente e, sem desviar os olhos, estende a mão para afastar a garrafa de whisky de Jaime, que a fita resignado.

“Já leste o jornal?” pergunta-lhe, desviando o olhar de mim.

Jaime grunhe algo vagamente humano.

“A Marta morreu.”

A mente é um lugar estranho. Estou em pânico, claro, o que é, que sabes, porquê, como é que o mundo desaparece quando fechamos os olhos, mas não, «A Marta morreu». Ao mesmo tempo, a quilómetros de distância da minha chávena de café, do jornal dobrado, do reflexo do sol nos talheres, registo o efeito da causa. Jaime a sacudir a flacidez bêbada com um esgar de receio. Marcela a estreitar os olhos como um gato ronronante, à medida que analisa os efeitos destas suas palavras em mim.

Ergo as sobrancelhas e levo de novo a chávena à boca, cautelosa para que a mão não me trema.

“Isso não veio no jornal de hoje” arrisco.

Marcela continua a sorrir.

“C-como?” balbucia Jaime.

“Afogada” responde-lhe Marcela, serenamente.

Suicida – sinto-o agora como nunca, pois Marcela sempre me intimidou, mas não assim –, corrijo-a:

“Com o pescoço partido. Atiraram-na para a água... depois.”

A cabeça de Marcela volta-se para mim tão depressa que me sinto zonza, mas não é de bom-tom vomitar à mesa do pequeno-almoço.

“Como é que soubeste?”

“Foram dois polícias a minha casa, anteontem. Fizeram-me perguntas sobre a Marta.”

Marcela faz um estalido com a língua, aborrecida.

“Porquê a ti?”

Encolho os ombros e faço uma careta. Os meus joelhos batem um contra o outro.

“Encontraram a minha morada e o meu nome na agenda em casa dela, como contacto de emergência.”

“Que burra!“ exclama Marcela, divertida, sobressaltando Jaime.

Encolho os ombros de novo e levanto-me. O Jaime olha para mim; os seus olhos remelosos e injectados de sangue alternam entre fitar-me e fixar um qualquer ponto da sala. Geme. O rosto de Marcela ilumina-se; comprime os lábios num trejeito juvenil e pede-me o telefone com um gesto.

“Crisântemos ou gladíolos?”pergunta, enquanto marca um número. “Não, lírios, não é? Lírios brancos. Tão vulgar. Enfim, é o costume, não?”

Como Marta fora vulgar; nunca ouvira de Marcela uma palavra contra ela – Marcela fala por silêncios. O meu estômago crispa-se; uma película de suor cobre-me a nuca.

“Para quê?” pergunto, a minha voz sumida de medo. Jaime solta um ganido patético.

“Para que havia de ser, tonta? O funeral. Está aí, na secção de óbitos” disse Marcela, empurrando o jornal na minha direcção. Levantei-me da mesa com um safanão e corri para fora de casa, uma voz polida e distante a seguir-me, encomendando coroas e ramos.

Com a testa encostada ao rebordo do lavatório e uma mão debaixo da torrente de água fria conto-me uma história, Era uma vez um trio de abutres que apreciava carne humana.

O mundo foi gentil para comigo. Nunca trabalhei porque não precisava e, se estudei, de nada me lembro. Marcela foi um achado; é uma líder nata e eu nunca quis ser mais que seguidora. Funciona. Tem tudo um pouco mais do que eu, seja dinheiro, beleza ou inteligência; isso também funciona. Jaime apareceu pouco depois, mais uma traça, como tantos outros. Marcela achou-lhe graça; ficou.

Quando encontrei a Marta pela primeira vez ela ainda não despira aquele olhar arregalado de rato do campo; acho que foi isso que me chamou a atenção. Apresentei-me sem lhe dar tempo de pensar porque é que uma desconhecida lhe falava com tanto à vontade; empurrei-a para a frente da Marcela e do Jaime que a olharam de alto a baixo, franzindo o sobrolho. Marcela soltou uma gargalhada que fez com que Marta corasse, e não lhe prestou mais atenção.

Os seus olhos arregalavam-se na ânsia de devorar o mundo que eu lhe apresentava: nunca percebeu ser ela a devorada. Eu e os meus amigos não passamos de sanguessugas. Pegamos nestes pedaços de almas de anjos, essa partícula que brilha nos olhos de pessoas como a Marta, fazemo-los girar, e girar e girar ao ritmo hipnótico daquilo a que chamamos vida, mas que é apenas uma morte adiada. Quando estamos fartos, quando a Marcela começa a bocejar e eu sinto aquele formigueiro familiar, a música cessa e amanhã é outro dia, todos os dias.

Há que entender: neste mundo em que vivo, no mundo que é de Marcela e nunca foi de Marta, ter uma consciência não tem utilidade prática. É uma desculpa e uma razão, embora estas sejam apenas remendos em trapos sujos.

Marta engolia as luzes da cidade e erguia o copo para mais; rodopiava nos vestidos brilhantes que eu lhe arranjava, criando redemoinhos de cores violentas no néon a preto e branco das nossas vidas mudas. Estendia a mão como uma criança para qualquer coisa com potencial de a divertir e isso era tudo.

Esmagámo-la. E rimos e rolámos pelo chão sufocados no nosso histerismo, como hienas humanóides – como abutres. Ela queria sugar a vida até à medula – morreu numa noite sem nuvens: um corpo anónimo, lançado ao mar. O pescoço partido. O caso arrastou-se e acabou por ser arquivado por falta de provas.

Semanas depois daquela manhã em casa de Marcela, o Jaime evaporou-se. Marcela ainda é a mesma. Que cinco gerações depois de mim murchem e se desfaçam em cinzas e pó e nada, antes que da sua cabeça brote um único cabelo branco.

Passo as noites na varanda a contar estrelas. Compro todos os dias um novo maço de cigarros para não os fumar; eram o vício de estimação de Marta. Guardo-os na segunda gaveta da cómoda grande; estou a ficar sem espaço mas seria um desperdício deitá-los fora. Na noite em que morreu, Marta fumou meio maço à minha frente, enquanto esperávamos que a Marcela se arranjasse. Marcela chama à cómoda «o altar».

Não falamos sobre Marta. A suspeita é um cancro ulceroso e eu sou apenas humana; as pessoas que, como a Marcela, se habituam a ser adoradas, dificilmente deixam que coisinhas vulgares como a Marta afastem os seus idólatras. No entanto, penso. E quanto mais penso, mais se adensa o nevoeiro que é a memória daquela noite, porque eu vi a Marta, falei-lhe, deixei que a Marcela me servisse champanhe, empurrei o Jaime quando se encostou a mim no sofá. Estática. Um apagão e, de repente, o dia seguinte. Três dias depois, «A Marta morreu».

De dia durmo as horas que me fogem de noite. Talvez por isso tenha visto a Marta na montra de uma loja, no faiscar do Sol numa poça de água, no espelho da minha casa de banho. Talvez sejam pesadelos. Talvez não; talvez as estrelas sejam o sonho e a Marta a realidade. Devia deixar de dormir de dia mas não consigo, há tantas estrelas por contar. Marta gostava de estrelas, era uma tola romântica. Tinha um perfil desinteressante. Vulgar. Ainda tenho o seu lenço favorito, o vermelho, estendido em cima da cómoda. Marcela não gosta.

Fez anteontem quatro anos e sete meses desde que «A Marta morreu». Não conto os dias; falta pouco para que deixe de contar os meses também. O nevoeiro daquela noite espalhou-se. As alucinações ganharam som. Contam-me todos os dias uma versão nova para preencher os espaços brancos na minha mente.

A Marcela decidiu levar-me para a casa do lago; disse que devia antes internar-me num hospício, mas ia fazer uma última tentativa. A Marcela adora o lago – é fácil perceber quanto ela gosta de algo ou alguém pelo tempo que gasta a insultá-los. Como quando lhe peço a bóia vermelha grande: diz que sou uma tonta preguiçosa e que se a encher de limos nem preciso de voltar para casa, mas empresta-me sempre. É uma mulher magnífica, a Marcela. Marta era tão subtil quanto uma pedra a cair num charco.

Devo ter adormecido, deitada na borracha quente da bóia, com o Sol a queimar-me os ombros e a água a morder-me a ponta dos dedos; a Marcela diz que sim. Devo ter adormecido porque a cara da Marta a olhar-me fixamente do fundo do lago é um absurdo. Ou talvez não. O que é o sonho? O que é a verdade?

“O que aconteceu naquela noite, Marcela?”

A Marcela diz que estou a começar a enervá-la.

Hoje à noite o Jaime bateu à porta. Tinha os olhos vermelhos, barba de uma semana e cheirava como se não visse água e sabão há ainda mais tempo. Olhou para mim a fungar e começou a carpir como uma velha desdentada; a Marcela bateu-lhe. A marca ficou, vermelho-raiva naquele rosto apatetado. A Marcela é muito forte para uma mulher tão sofisticada; acreditei que era uma deusa quando pela primeira vez a vi.

O rosto da Marta fitou-me do lume da lareira.

Perguntei-lhe. Perguntei-lhe, Marta, perguntei-lhe se te tinha morto. O Jaime tremeu e olhou para Marcela, como que a implorar, mudo. A lenha rangeu e, aos meus ouvidos, soou como ossos a quebrarem.

O céu estava cheio de estrelas nessa noite.

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* O título é inspirado num jogo para crianças (equivalente em português a "O rei manda") em que o escolhido como "Simon" ditará tudo o que os outros têm de fazer. Pensei no título do jogo em inglês como mais adequado ao que queria transmitir, fazendo a ligação com a personagem da Marcela.

Diana Paulo, nº 41211