15/04/11
Conto Individual - Confessionário
12/04/11
Curso EC Casa Fernando Pessoa
Porque estamos aqui? Porque escrevemos?
De que gostamos e de que não gostamos?
Ler como função primordial (trabalho essencial?) de quem escreve.
Exercitar a escrita como um pianista exercita todos os dias as teclas brancas e pretas. Talento sem técnica é como uma lâmpada fundida?
Leitura dos conselhos ao jovem escritor de Joyce Carol Oates: livro A Fé de um Escritor.
Segunda sessão:
Discussão sobre textos criados numa vertente positiva: crítica construtiva. Recomendação de leituras.
Leitura de um texto curto para observações (Mário de Sá Carneiro, Clarice Lispector, Fernando Pessoa).
A desmultiplicação de gostos: evocando Pessoa podemos ser vários escritores e leitores, experimentando.
O escritor profissional e o amador? Existe esta diferença?
Leitura de textos trazidos pelos alunos.
Terceira sessão:
A importância da pesquisa, do diálogo, da caracterização das personagens.
Sugestões para resolver bloqueios de escrita: reformular a ideia de ficção para uma ficção epistolar.
A importância do diálogo, da caracterização dos personagens e como tudo pode mudar com a utilização de linguagens distintas.
Quarta sessão:
Discussão dos textos propostos pelos colegas.
Inspiração versus trabalho.
O mercado editorial.
As vantagens e desvantagens do exercício da escrita partilhada em blogues e sites.
Entrega de prendas-livro para os participantes.
Conto Colectivo - Parte VI
Aluno nº 40834
Eduardo Pacheco
Bruno Jacinto
Ricardo
08/04/11
Eternidade provisória
Cansado de inventar silêncios na boca dos outros, pegou na vassoura. Varreu os pensamentos fora do prazo de validade, limpou a voz rouca que vinha de baixo da folha ainda em branco. Ruídos. Motores à velocidade de engarrafamento. Esfregou as manchas de insónia, cor de sol, coladas à página onde dormira. Abriu as janelas na ânsia de se arejar por dentro.
Voltou ao quarto para se certificar de que ela ainda estava deitada. Pelo caminho, fotografou os passos que foi largando pelo chão. Ao chegar, reparou que ela continuava deitada, desperta, porém deitada, a espreguiçar restos de sono por entre os lençóis. Soergueu-se tentando afastar o sono da cara com as mãos e disse: Hoje vou procurar o meu lugar noutro corpo em solidão, quando conseguires fotografar a minha ausência, deixa os fragmentos de luz em cima da mesa da cozinha. Nesse retrato, irei corrigir os dias em que não te amei. Irei buscar coragem para te ler um poema em voz alta sem receio de deixar cair as cordas vocais pela garganta adentro. Tal como hoje, não estive aqui. Não dormi apenas contigo. Todos os homens que provisoriamente me amaram para sempre, estiveram connosco neste quarto, hoje, enquanto fazíamos do amor uma sala de convívio para as nossas ilusões. Porque afinal, acredita, a distância é o momento mais perto de ti. E quero tanto estar longe!
Aquela declaração entrou-lhe pelos tímpanos de uma forma abrupta, demorou alguns segundos até encontrar fôlego e sentido para a ausência de sentido daquelas palavras. Sem saber exactamente o que responder, num tom desengonçado mas determinado: Vai! Quero lá saber! Ando há uns dias para te propor isso mesmo. Pega nas tuas coisas e faz-te desaparição! Inventei o esquecimento para não trazer de volta os teus gestos, a tua boca sempre à beira do silêncio, as curvas onde o teu corpo é mais veloz, é mais isto que agora me negas. Vai! Não vou regatear nem mais um beijo! Os que te dei, alguém há-de roubá-los da tua boca e quando um dia, tarde, te lembrares de mim, verás que todos os corpos em solidão foram encontrados por alguém. De que te vai servir, em frente ao espelho, tentar preencher a lápis os teus olhos cheios de vazio? Não me apetece fotografar a tua ausência. Os dias em que não amaste, alguém viveu no teu lugar, alguém sorriu com os teus lábios, escreveu com os teus dedos, amou com toda a força, os pássaros batendo asas no lado esquerdo do teu peito. Sabes, não me importo de repetir diferentes versões do mesmo sentimento desde que, a última versão me traga palavras que me conduzam a um conto de verdade. Isto é o rascunho, tem calma, por favor!
2ª versão
- conto individual -
Pacheco Eduardo